A Medicina Ocidental, assim como as outras Ciências Ocidentais, está baseada numa visão fragmentada da existência e do homem. Esta visão foi essencialmente concebida por René Descartes (1596-1650) e Isaac Newton (1642-1727). A célebre frase de Descartes, em latim “Cogito ergo sum” (penso logo existo), ao ser entendida literalmente, sugere que pensar e ter consciência de pensar são os verdadeiros substratos da existência e tem funcionamento separado do corpo que, com suas actividades como respirar, falar, comer é simplesmente um conjunto de partes mecanicamente integradas como sustentado por Newton na sua visão homem-máquina e universo-máquina. Este modelo (paradigma) usado para ver o mundo é dito analítico, cartesiano-newtoniano, fragmentador, reducionista ou racionalista. A nossa sociedade e os nossos sistemas de saúde, baseiam-se neste paradigma. Nós próprios estamos profundamente marcados por essa visão. Neurologicamente esta visão pode ser representada pelo modo de funcionamento do hemisfério cerebral esquerdo (numa pessoa que tem como lado dominante do corpo o direito). Ao estudarmos a Medicina Oriental encontramos outro paradigma, outros modelos da existência e do homem, modelos que focalizam a totalidade, a interligação, a interacção, a unificação, a síntese, como no funcionamento do hemisfério cerebral direito. Por exemplo, a Medicina Tradicional Chinesa que tem bases no Taoismo e a Medicina Ayurvédica, com base nos Vedas, os Livros Sagrados da Índia milenar. A Medicina Ocidental também apresenta modelos sintéticos como é o caso da Homeopatia e da Medicina Antroposófica (Rudolf Steiner), bem como outras abordagens não enquadradas na medicina no sentido restrito, como seja a psicoterapia corporal na senda de Wilhelm Reich. Estes modelos não são antagónicos, opostos, alternativos mas sim complementares e dessa complementaridade surge o modelo ou paradigma holístico. Este novo paradigma encontra as suas bases científicas na visão de mundo da nova física desenvolvida ao longo do século passado, a física quântica. Amit Goswami, físico quântico reconhecido internacionalmente, usa o termo Médico Quântico para o médico que traz para sua pratica clínica e terapêutica a mensagem da física quântica. Pessoalmente acredito que essa abordagem vai florescer neste século e reflecte o nosso próprio processo evolutivo como humanidade.
Sueli Simões
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